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Aneurisma de
aorta
Aneurisma é definido como sendo a dilatação de
uma artéria, de forma definitiva, de mais da
metade do seu diâmetro primitivo. Os aneurismas
arteriais podem ser separados em grupos
etiológicos, de acordo com vários enfoques,
propondo-se para cada grupo mecanismos
específicos de desenvolvimento e constituição.
No início dos estudos de fisiopatologia da
doença aneurismática das artérias, os efeitos
dos fatores etiológicos conhecidos sobre a
parede arterial foram estudados como, por
exemplo, a sífilis, a tuberculose e a
salmonelose.
Com o passar dos anos os estudos passaram a dar
ênfase às alterações da parede arterial que
levariam à manifestação aneurismática da
aterosclerose (concentração de colágeno e
elastina, enzimas degradadoras da elastina e
fatores de inibição dessas enzimas).
Modernamente, estudam-se as alterações genéticas
que ocasionam esta manifestação.
Entre os aneurismas periféricos, o mais comum é
aquele que acomete a aorta abaixo da emergência
das artérias renais.
Pode-se dizer que esta é uma doença que acomete,
via de regra, pessoas de idade avançada. É pouco
encontrado antes dos 50 anos e aumenta sua
freqüência, progressivamente até os 85.
Além da idade e a localização da artéria,
fatores como hipertensão arterial predisposição
hereditária, tabagismo e alterações estruturais
da parede provocadas pela aterosclerose e
distúrbios de colesterol e triglicérides são
fatores importantes na gênese do aneurisma.
A prevalência do aneurisma da aorta abdominal é
maior nos homens do que nas mulheres na
proporção de 2:1 e 3:1, sendo mais freqüente em
brancos que em negros.
A maioria dos pacientes portadores de aneurisma
da aorta é assintomática. O diagnóstico, nestes
casos, é feito por exames clínicos de rotina ou
em investigações de doenças abdominais de outras
origens quando ultrassonografia ou outros exames
são pedidos para elucidação do caso.
Nos pacientes que procuram assistência médica
por conta do próprio aneurisma, a queixa mais
comum é a dor abdominal ou lombar que piora com
a palpação da aorta. Quadros clínicos ligados a
compressão de órgãos e estruturas adjacentes são
possíveis e ocorrem nas situações em que o
aneurisma já apresenta um diâmetro maior.
Feito o diagnóstico, o seguimento depende do
diâmetro do aneurisma. Assim, pequenos
aneurismas devem ser acompanhados, clinicamente,
com exames seriados para que se flagre um
crescimento acentuado do aneurisma. Neste caso a
correção cirúrgica é imperativa. Além disto,
aneurismas com diâmetro acima de 5 centímetros,
devem ser operados para que se evite a rotura do
mesmo. Este quadro é grave e, em estudos
mundiais, apenas 1/3 dos pacientes com esta
condição conseguem chegar ao hospital para serem
tratados. Destes, cerca de 50% não sobrevivem ao
procedimento.
Isto posto, é claro que o tratamento cirúrgico
pauta-se na expectativa de prevenir complicações
que podem ser de leves a graves, inclusive com
óbitos por rotura.
Assim, o aneurisma da aorta é doença insidiosa e
de poucos sintomas. Isto faz com que seja uma
doença extremamente grave e perigosa se não
houver controle rigoroso.
O tratamento cirúrgico deve ser o de escolha
sempre que o risco de rotura e de outras
complicações for maior que o risco da operação.
Desta forma, pacientes com aneurisma de maiores
proporções, porém, com condições clínicas ruins,
podem ser acompanhados. Por outro lado,
pacientes jovens, com boas condições clínicas,
podem ser operados precocemente para aproveitar
as melhores condições individuais. Portanto,
cada caso deve ser tratado e acompanhado pelo
cirurgião vascular para que o melhor tratamento
para aquele paciente seja instituído.
Desde a época em que Albert Einstein morreu por
aneurisma de aorta após cirurgia primária (naquela
época o aneurisma era envolvido por um material
inerte para que uma fibrose se formasse ao redor.
Acreditava-se que isto evitaria sua progressão e
rotura. Infelizmente, não acontecia), as
técnicas foram sendo aprimoradas e, atualmente,
métodos extremamente modernos e mais seguros são
utilizados.
A operação clássica que consiste na ressecção do
aneurisma e interposição de uma prótese
sintética é bastante bem tolerada e apresenta
ótimos resultados. Atualmente, uma técnica
chamada de endovascular, para alguns casos é
possível. Consiste em corrigir o aneurisma por
um método menos invasivo. Esta correção se faz
pela inserção de uma prótese compactada através
da artéria femoral, que fica na região da
virilha. Esta prótese é levada ao local da
correção e lá é aberta. Assim, o fluxo de sangue
deixa de passar pela artéria dilatada de forma
direta, passando por dentro da prótese (neste
caso chamada de endoprótese). É uma técnica que
promete maior segurança, menor tempo de
internação, menores mortalidade e mordibade.
Infelizmente, nem todos os casos podem ser
corrigidos por esta técnica. Mais uma vez, o
paciente precisará ser avaliado individualmente
para chegar ao melhor tratamento para o seu caso.
Para que esta técnica seja realizada, um
aparelho de alta tecnologia é necessário. Trata-se
de um aparelho de radiografia portátil, com
recursos modernos que nos permite visibilizar a
prótese desde a sua entrada, na virilha, até o
local da correção do aneurisma. Além disto, uma
mesa cirúrgica que seja radio-transparente é
fundamental.
Tal equipamento foi, recentemente, adquirido
pelo Hospital Ribeirão Pires que, agora, faz
parte de um seleto grupo de hospitais da nossa
região equipados para realizar este tipo de
procedimento. Este aparelho nos permite, ainda,
realizar procedimentos diagnósticos como
arteriografia digital, além de realizar
angioplastia de artérias periféricas.
O grupo de anestesia e a UTI do Hospital
Ribeirão Pires que, em minha opinião, é uma das
melhores da região, completa o panorama geral
que nos permite realizar este tipo de
procedimento com toda a segurança como em
qualquer outro hospital da grande São Paulo.
Dr. Hussein Amin Orra – CRM 78313
Cirurgião Vascular pelo Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina da USP
Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da
USP
Cirurgião Vascular do Hospital Ribeirão Pires
Este artigo foi publicado no Jornal de Ribeirão
Pires, em maio de 2008. |